Se você ainda não assistiu Heroes, vá no xing-ling e compre as 3 temporadas completas JÁ.
Foi lá?

Então pronto, pode continuar a ler este blog.
Agora que você já assistiu a série mais legal da última década, sabe que a Sra. Petrelli é uma super-mãe (super mesmo, ela tem uma "habilidade") desequilibrada, manipuladora, mentirosa, fria, megera e em alguns momentos, genuinamente má. O bicho é ruim mesmo.

Mas na hora de salvar o planeta, ela ainda é a mãe do Peter.
A dinâmica da família Petrelli me lembra muito o relacionamento que eu tenho com São Paulo.
Se você, como eu, também não cresceu aqui, sabe do que estou falando.
Você trabalha o dia inteiro, torce o pé em tudo quanto é buraco, toma banho de esgoto quando chove, escuta seus ouvidos apitarem com o barulho, derrete no trânsito, agride um moleque que tentou roubar seu celular no ponto de ônibus, compra briga com o pedreiro que está te encoxando no metrô, xinga os guardinhas da CET, espirra o dia todo porque não chove mais e o cheiro do rio é entorpecente e pragueja que esta cidade é amaldiçoada, e todos que a habitam também.
Então você bate o cartão e, no caminho de casa, compra ingresso para um filme aleatório no Espaço Unibanco, como você adorava fazer quando era solteira.
Daí você lembra que gosta de sair do cinema e andar de ônibus depois das 21h, quando a cidade está esvaziando e as luzes estão acesas. Gosta também de almoçar e sentar um pouquinho nos bancos do Trianon, onde a temperatura média é 2 graus menor que o resto da Paulista e quase dá pra esquecer do aquecimento global. Gosta de andar pelo Centro velho no domingo e ver que, vazia, a cidade nem é tão cinza assim. Gosta de chegar em casa e ser bem recebida pelos porteiros, de encontrar os vizinhos na padoca, de dar um pulo lá no bloco F pra dar um abraço no seu tio-avô e ficar olhando como ele é a cara do vô João. Que saudade.
Apesar de sua mãe brigar contigo pra você estudar, te deixar de castigo, implicar com o seu peso e planejar sua morte (típico da Sra. Petrelli), ela ainda é sua mãe, e é pro colo dela que você corre quando mais precisa.
São Paulo é minha mãe sim. Nascí aqui, crescí longe, mas voltei para esse colo quando precisei.
E quer saber? Colo de mãe é muito bom, mesmo que ela seja a Sra. Petrelli.